Tudo parece mais entusiasmante
quando ainda não ultrapassamos o patamar do ‘Se’. Ensaiei, por mais vezes do
que consigo lembrar, as reações do meu corpo para ‘se um dia conseguisse…”.
Era felicidade o que iria sentir, tinha que ser. E ensaiei os gestos que
deixariam os outros sem dúvidas da alegria explosiva que não conseguia conter
dentro de mim. Pensei no que iria fazer depois, muitas vezes, “se um dia
conseguisse”. No dia em que o ‘se’ deu lugar ao ‘quando’, disse a mim mesma que tinha
um peso que eu nunca tinha imaginado, já não queria. Ensaiei-me de novo, e
decidi que “quando conseguisse…” não ficaria feliz. Decidi que iria ser
irrelevante, que não iria ter importância, que já não me afetava. “Quando conseguisse”
iria guarda-lo num canto de uma gaveta emperrada da mesa de cabeceira. Não me
valeram de muito os anos que passei a ensaiar, a imaginar como seria, é verdade.
Olhei, quase hipnotizada, para o pequenino cartão em tons de verde com o meu
nome inscrito. Uma, outra e outra vez. Pousei-o na mesa ao meu lado e encarei-o
mais um par de vezes. Foi felicidade que eu senti, tenho a certeza, sem gestos
nem sorrisos, mas felicidade. Enquanto olhava fixamente para o pequenino cartão
percebi que agora era a sério, que tinha o que muitos sonham e que eu também sonhei. Que, por mais que
tentasse fugir, continuava a querer ser o que sempre quis!
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
terça-feira, 25 de dezembro de 2012
Há meses que namorava o livro dos 20 anos da SIC nas prateleiras dos hipermercados. Fiz chegar a todos a minha vontade de o ler e, por isso, quando na noite passada, por detrás do papel rasgado foi surgindo a capa que eu já conhecia de cor, despontou-me o sorriso mais sincero dos últimos dias. Li-o com a rapidez de quem precisa de ar. As 'Histórias de uma Revolução' que assinalam o aniversário da primeira estação de televisão privada e mostram os bastidores da informação não são só testemunhos de vivências, são segredos, sentimentos que conseguimos transportar para nós através da escrita de outros. Poucos escrevem tão bem como o Bento Rodrigues. Senti-me parte da história do Anselmo Crespo sobre o desastre nuclear de fukushima e o coração apertar com a da Fernanda de Oliveira Ribeiro. Não há como explicar o que todas elas nos dizem. Todas. Ler as 'Histórias de uma Revolução' é ver o outro lado do que me deram a conhecer desde que comecei a entender o que se passava na televisão, é saber o que já sabia, que são pessoas.
A mim, trouxe-me a magia que eu já não encontrava, o encanto, o alento, o entusiasmo que eu tinha perdido. O livro dos 20 anos da SIC, que eu cobiçava avidamente, lembrou-me porque é que escolhi esta profissão. Lê-lo é sentir um murro no estômago, um peso ao fundo da barriga, um arrepio. É sentirmo-nos cheios, completamente preenchidos não sei por quê, é despertar todos os sentidos e mergulhar de cabeça. Devorei-o, quase literalmente, e quando os meus olhos percorreram a última linha da última página ficou, sobretudo, uma vontade enorme de começar tudo de novo.
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
Eu acredito que mudamos. Nós, pessoas, mudamos constantemente e não entendo quem acredita no contrário. Mudamos um pouco todos os dias. Mudam-nos as pessoas, mudam-nos as circuntâncias, mudamo-nos nós que, com o tempo, já não nos identificamos com o que sempre fomos. Cansamo-nos do pão com manteiga do pequeno almoço, enjoamos do perfume que dá cheiro à nossa pele há mais do que uma eternidade, provamos algo que sempre abominamos sem experimentar e descobrimos que é bom. É bom, também, mudar às vezes. Outras vezes não sei. Não sei o que é de nós quando deixamos para trás o 'nós' que sempre fomos. Não sei o que é de nós quando descobrimos que os sonhos que nos construiram podem não ser mais nossos. Sei que mudei. Hoje mudei e já não quero mais ser o que sempre quis. Sem lamurias, sem frases lamechas, sem nada. É simples assim. Hoje não quero, amanhã é outro dia e a única coisa que me deixa gelada de medo é a possibilidade de continuar a não querer!
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